Ruído no trabalho: perturbador e irritante

Embora vivamos numa sociedade dita mais avançada, há determinadas coisas que nunca mudam e continuam a provocar-nos alguma espécie de incómodo. E talvez o mais inquietante de todos seja mesmo o barulho, independentemente de este ser provocado pela função laboral em si ou pelo próprio espaço onde se trabalha.

O problema do ruído no trabalho é algo bem mais preocupante do que se possa pensar numa primeira consideração, e a comprová-lo estão os resultados do último estudo em que o Eurostat analisou este assunto. Na investigação, os dados recolhidos apontam para que um em cada cinco operários europeus tenha de alterar a sua voz para se fazer ouvir pelos colegas no seu local de trabalho, pelo menos durante metade do seu horário laboral. Mas a extensão do problema vai bem mais além do este facto, como explicamos nos pontos em seguida.

Trabalhadores mais vulneráveis ao ruído

Ao nível da exposição, os operários da indústria transformadora e construção são os que mais sofrem do incómodo do ruído no seu posto laboral, mas o problema afecta igualmente quem trabalha em call centers e instituições educativas, bem como em locais com exposição prolongada ao som, como bares, discotecas e outros espaços semelhantes. Nestes casos, não só deve haver maior preocupação de prevenir danos graves, como acima de tudo tem de exercer-se uma apertada fiscalização a fim de regularizar e proibir o abuso dos limites da sonorização.

Como reduzir o ruído?

Um outro dado alarmante que é apontado pelo relatório do Eurostat diz respeito à percentagem de trabalhadores que sofrem de problemas auditivos directamente relacionados com o ruído. De acordo com o estudo daquele organismo estatístico, mais de sete por cento dos operários europeus viram a sua audição afectada de alguma forma, tendo sofrido consequências devido a esse facto.

Face ao elevado número de vítimas do barulho no local de trabalho, é necessário que as entidades patronais comecem a aplicar medidas de redução do ruído, nomeadamente através da detecção da fonte deste e eliminação do mesmo (se possível), procurando diminui-lo ou protegendo os trabalhadores com equipamentos que vedem o melhor possível os ouvidos e a cabeça dos seus empregados, porque são estes os órgãos mais afectados pelo ruído intenso e prolongado.

Problemas causados pelo ruído

Embora possam variar os problemas causados pela exposição ao ruído, o mais grave é indubitavelmente a perda total ou parcial da audição, que pode ocorrer nas profissões que exigem maior actividade de exposição do sistema auditivo.

Apesar de não haver dados exactos quanto ao número de operários afectados pelo barulho no seu posto laboral, um estudo publicado pela Universidade holandesa de Maastricht, uma das mais conceituadas da Europa, revela que a taxa anual de pessoas afectada gravemente pelo ruído no trabalho é superior à população francesa, ou seja, mais de 62 milhões de pessoas.

Além da perda de audição, o barulho no local de trabalho pode ainda causar nefastos efeitos fisiológicos (subida da pressão arterial), estados constantes de stress e aumentar risco eminente de acidentes, pois o ruído provoca interferências na comunicação e, consequentemente, maior probabilidade deste tipo de ocorrências.

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